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Monday, August 13, 2012

O IP Misterioso

Todo o dia me lês de lés a lés, sempre à socapa, presumo que entre o jantar que finda e uma mija furtiva de privacidade esquiva. Na diagonal, que não é posição, sempre a abrir não vá alguém inquirir. Não estás só mas não estás bem, que conforto tiras das palavras de outrem? Imagino-te de andróide na mão e calcinha no chão, num momento só teu que não sabe a prisão. Pinto-te atraente, de olhos cansados, com a esperança dormente dos anos passados. Moderada, madura, nascente ternura, torrente candura, de sonhos inquinados, quiçá abortados. Eu sei, eu sei, eu vejo o teu IP. Não sei quem és. Só sei que me lês ou vês os bonecos talvez. Porque pela calada? Faz-te sentir culpada? Nunca vais dizer nada?

Monday, July 30, 2012

Fábula(stica) Onírica



Não Sei

Se Me Sonhas Húmido ou Quente

Se Tens os Sonos Dormentes

Formigueiro

Formiguinha

Dá Um Beijo à Cigarrinha



Não Sei

Se Te Chego, Se Te Excesso ou Te Vire do Avesso




Saturday, June 5, 2010

Agenda Antiga

Os mortos não têm telefone e os vivos já mudaram de número(s). Será que não podiam aprender com os primeiros a estar sossegadinhos?

Friday, May 15, 2009

Uma Praia Longe Demais

Por razões que a razão desconhece, quando o entusiasmo esmorece e a vontade arrefece, o melhor é esperar que depois acontece. Não pensar, não prever, não forçar. Deixar o pensamento vagabundear, deixá-lo andar a mendigar, deixá-lo estar de papo estendido, neste corpo ferido, a descansar, a recuperar, ao sabor da maresia do ar, a trautear a melodia do mar.

Sunday, March 29, 2009

Expressões do Fadista Fatalista I

Quem está vivo sempre perece

Tuesday, February 24, 2009

O Jejum

Vagueiam parvos e aparvalhados, sem rei, nem rumo, nem noção do mundo. Não sabem da fome, desconhecem o medo, ignoram afectos, só querem putedo.

Estão por todo lado, estão à tua volta, se tiveres um euro, vão bater-te à porta.
Não querem saber, pensar nem pensar, toma lá um plasma, vai a sossegar.

Jejum de amor, que faz engordar e da compaixão, melhor nem falar.

Valores só em cash, amores de serão, no século do "Eu", sou aberração. Comprar é o verbo, mostrar complemento, sou eu que estou velho ou perdi-me no tempo?

Tuesday, February 10, 2009

Fossonovo

É no vai que não vai que já foste. A carne é fraca, a pêra é doce. No ir e vir te perdeste, deixaste andar, fundo do poço. Sem dar por isso, pela calada, foste ficando mais enterrada. Agora é tarde, p’ra estar no ir, foi-se te o tempo para partir. Para partir, para sair, sair da fossa, fundo do fosso. Não fora eu, menino e moço, para emergires era o caroço. Não fora eu, rocha teimosa, braço estendido, saída airosa. Não fora eu, leal amigo, tinhas seguido p’ra sem abrigo.

Sunday, February 8, 2009

It's the End of the World as We Know it

Quando os DVDs fresquinhos que saem em quantidade e qualidade do novo gravador XPTO do vosso fornecedor não são reconhecidos pelo vosso leitor. Estou perdido, mas não da forma que tinha planeado para o serão de ontem...

Friday, February 6, 2009

Pináculo

Tive uma semana tão excitante que o seu momento mais alto foi há pouco na farmácia quando tirei a senha número sessenta e nove. Pena é não ter sido atendido pela moça que cora sempre que me vê.

Parvo

Estava com ciúmes estúpidos do teu passado quando me disseste que pouco interessava não ser o primeiro, o segundo ou o terceiro dos teus amores, pois iria ser o último. Eu, feito parvo, acreditei.

Tuesday, January 27, 2009

Bronquite

Para quem se queixa que eu não revelo nada da minha vida nas linhas que por aqui escrevo, em especial a Inês, dou-vos agora a possibilidade única de contemplarem o meu interior. Exponho-me visceralmente, para lá de nu e de entranhas ao léu, de modo a poderem constatar que também sou bonito por dentro. Sem medos de que me descubram a alma pois esta, nas ervilhas, localiza-se abaixo da cintura e dispensa ser bombardeada com Raios X e/ou pesticidas.

Diz que sim, que as hemicúpulas estão bem, o parênquima recomenda-se e o mediastino está fino. De qualquer modo terei de largar a chucha durante uns tempos, o que para quem fuma com convicção há mais de 20 anos, não se afigura tarefa fácil. Vou andar furibundo e moriboso, mal-disposto e rancoroso. A todos vós, a minhas desculpas em antecipado.

Saturday, December 6, 2008

O Biquíni Verde

Nunca escrevo para ti
Nunca escrevo sobre ti

As letras no branco
Afogam-me em pranto

Não te quero escrita
Nem em poesia
Nem em prosa maldita

Não te quero escrita
Não te quero pintada
Toda despida
Não te quero esculpida
Toda descascada

Não te quero escrita
Não te quero gravada
Não te quero o biquíni verde
Da nossa primeira alvorada

Que não haja registo
Que a memória se vá
Que a lembrança se perca
Que seja rápido, já, JÁ!

Neste Natal VIII

Mande o menino Jesus ir caçar gambozinos, a tradição às malvas e o bacalhau cozido para o pescador que o apanhou.

Monday, November 24, 2008

Efeméride Real

Faz hoje 17 anos que foste desta para melhor. A vida semtigo nunca mais foi a mesma mas poder ouvir-te sempre que me apetece é um luxo do qual nunca prescindirei. Deves andar muito divertido ao observar que o teu legado esmagou por completo os críticos e os detractores que te infernizavam em vida. Agora és o maior, com mais de meio mundo a confessar que afinal eram dos Queen desde pequeninos...

Sunday, November 23, 2008

Neste Natal IV

Oprima as minorias. Abaixo os utilizadores de bicicletas com quatro rodinhas. Liberté, Égalité, Vancifudê.

Tuesday, October 28, 2008

Com Leitores Assim...

Estou indignado com o facto de ninguém, no post anterior, ter reparado que perdi imenso peso e que a depilação a laser no peito começa a dar os seus frutos. De tal forma que pela primeira vez na distinta história do Ervilhas não merecem que haja uma imagem a ilustrar estas minhas palavras amarguradas.

Friday, October 24, 2008

Bloguicídio

Já aqui referi a pandemia sistémica que nos últimos dias tem dizimado a blogosfera. Nada menos que uma dezena de blogues que eu acompanhava acabaram sem pré-aviso, armados em folhagem caduca de Outono.

Sem pôr em causa a total legitimidade e liberdade de cada um, longe de mim, tenho por princípio que não se deve exterminar um blogue, tal e qual é moralmente reprovável abandonar os animais domésticos nas férias (incluindo irmãos mais novos) ou é pouco aconselhável ir fumar o cigarro no bidé enquanto a senhora ainda não climaxou.

Pode ser de mim, que sou um maratonista da vida ou que ganho demasiado apego às coisas que me dão prazer mas pôr um prazo de validade num pedaço de “nós”, mesmo que muito filtrado ou fictício, transcende-me. Tirar um período sabático de duração indefinida parece-me ser uma opção muito mais acertada.

Arrependo-me de pouco e com certeza de nada que alguma vez aqui tenha publicado. Com a possível excepção de textos sérios como este que deixam adivinhar a minha sazonal depressão natalícia.

Thursday, October 16, 2008

Como Perder Leitores (Parte IV) : Dizer a Verdade

Enquanto fui laurear a pevide e apanhar uma virose fina do primeiro mundo houve vários blogues que de forma traiçoeira fecharam, aparentemente, portas. De entre estes tenho de destacar o Bom Jardim do caro Alf, um espaço de boa disposição, inteligência e decência que deixará certamente muitas saudades.

Vendo tanta boa gente a voltar costas à blogosfera é com algum melindre que me vejo forçado a comunicar-vos que o “Ervilhas Albinas” NÃO vai acabar. Nem agora, nem no futuro vislumbrável. Lamento imenso.

Thursday, October 9, 2008

(In)Certezas

Não gosto nada quando as pessoas se expressam com frases feitas. “O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia”, “Se beber não conduza”, “Natal é quando um homem quer”, “A pílula engorda”, “A Coca-Cola faz mal”, “O povo está com o MFA”.

Não me agrada, mas compreendo. O universo é um caldeirão de caos e a incerteza um poço sem fundo. As pessoas sentem necessidade de se agarrar a alguma coisa que seja ordenada, imutável, pouco complexa, fácil de processar e reconfortante. Precisam de sentir que o dinheiro está seguro no banco, que o conceito arcaico da família funciona, que o Benfica são os bons e o Porto são os maus. Precisam de certezas a preto e branco para sobreviver num mundo cada vez mais cinzento. Se lhes trocam as voltas, é o fim da picada.

“Fumar Mata” é um bom exemplo. Uma mensagem simples, concisa e aceite pela grande maioria. Pena não ser verdade. Fumar o quê? Cigarros? Charros? Crack? Cachimbo? Cigarrilhas? Sem travar? No esófago? Nos pulmões? Três vezes por dia? Por semana? Por semestre? Por década? Fumar não mata. Estar vivo é que mata.

É, no mínimo, curioso que a única certeza universal e comum a todos nós seja a morte. A única certeza que temos é aquela que nos traz zero conforto, nenhuma paz e um balde cheio de angústia. Não admira, portanto, que vivamos cercados por frases feitas, verdades absolutas e tabus intocáveis.

A verdade é que as certezas são analgésicos para mentes menores. Se calhar por isso é que eu tenho a certeza absoluta que o amor existe (e é cego), Deus não (se existisse seria cego) e que levar no cú (definitivamente cego) não é pecado.

Tuesday, October 7, 2008

The Drugs Do Work