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Gi, a quem só falta um 31 na vida, lançou-me este desafio engraçado que consiste em recordar a magia dos primeiros contactos com os livros. Para os mais novos de entre vós posso-vos dizer que "livros" são conjuntos de folhas impressas ou manuscritas reunidas num volume. Sim, exactamente, aquelas cenas que costumam aparecer no Parque Eduardo VII lá para Maio/Junho.
Inevitavelmente, começo pelos quadradinhos e bem. Muito antes de saber ler já devorava as histórias do Walt Disney com uma sofreguidão fora do comum. Com três anos, também já obrigava a mulher-a-dias/ ama a ler-me as minhas passagens favoritas enquanto me dava o almoço. Às vezes as mesmas meses a fio. E aí dela que se enganasse!
Gostaria de ter posto aqui uma imagem do Disney Especial nº6 "Os Inesquecíveis" de 1972 que me marcou de forma particular. É que para além de ter sido o meu primeiro DE, trazia a primeira
estorinha com o Esquálidus a que tive acesso, um dos meus personagens favoritos de sempre. Tal não foi possível pois está demasiado bem arrumado num armário de difícil acesso, barricado com tapetes de arraiolos, candelabros e frasquinhos de crianças em formol. Fiquem com este Zé Carioca de 1965, o mais antigo que possuo em bom estado de conservação e não digam que vão daqui mal servidos.

Indispensáveis na formação de uma mente masculina de superior qualidade são os 4 pilares da banda desenhada franco-belga em álbum de capa dura. A saber:
Astérix,
TinTim,
Spirou e
Lucky Luke. O exemplar que aqui mostro era pertença da biblioteca de uma escola pública que frequentei. O meu advogado diz-me que este meu acto de esquecimento já prescreveu e que não corro riscos de maior com esta minha confissão.

O primeiro "sem bonecos" nunca se esquece, e este, da autoria desse grande senhor que foi Alfred Hitchcock, é o meu. Se moldou para sempre a minha fervorosa
anglo-saxonia e o meu fraquinho por literatura policial, não sei, é provável. O que sei é que durante muitos anos guardava documentos preciosos (cartas de amor,
rankings de namoradas, listas negras dos críticos de música que diziam mal dos Queen, etc.) entre as suas páginas e hoje, quando o fui desencantar para
sacanear, encontrei um envelope com uma chave misteriosa lá dentro. Não me lembro o que abre mas tenho uma forte suspeita que será um duplicado da chave do cofre da minha irmã. E mais não digo que o meu advogado, desta feita, aconselhou-me o silêncio.

Na mesma linha, mas mais unissexo (como se costumava dizer), temos a incontornável Enid Blyton, essa formidável Agatha Christie para petizes. Nunca fui muito à bola com "Os Cinco" mas "Os Sete" e esta colecção do "Mistério" faziam-me companhia nas noites longas de Inverno antes de a puberdade me ter alterado as prioridades.

Termino com algo diferente: uma prenda de décimo aniversário, um exemplar do Grande Atlas Mundial. Oferecer-me um livro deste era deitar gasolina na fogueira e alimentar as minhas obsessões geográficas e estatísticas e estimular a procura incessante do conhecimento. Até hoje nunca me curei.
Devido ao prazer que tive a conceber este
post peço aos meus nomeados que não se considerem praxados como é habitual nestas coisas, mas sim honrados. Segue então o desafio para a
The Queen que ansiava por publicidade grátis, para a
Mad que não tem nada que fazer e precisa de se distrair, para o
Osga que anda desanimado com o conteúdo do blogue e até já pôs uma foto de um gajo com uma erecção a ver se espevitava, para a
Palah que anda a ouvir a voz do Alan Rickman dentro da sua cabeça e para a
Margarida que (quase) todas as manhãs é a primeira a visitar-me e, consequentemente, a primeira pessoa a quem eu estrago o pequeno-almoço.
PS: Tirando "as crianças em formol" (são só fetos), levam aqui um post de não ficção que é para variar. Por isso, vejam lá se são meiguinhos nos comentários que eu sinto-me muito exposto!