Não se ponham já armados em carapaus de corrida como se soubessem à partida de que é que eu vou falar. Ainda nem eu próprio decidi, quanto mais vocês. É que nunca se sabe, pode até sair um post repleto de seriedade, transbordando decência e originando epifanias não epilépticas (pode não parecer mas eu sei quase sempre o significado das palavras que utilizo).
Morangos. De preferência comprados a vendedores ambulantes e de origem não demarcada. Afinal de contas se têm a capacidade de escapar ao monoteísmo oligofrénico da ASAE, de certeza que possuem uma qualidade morangal superlativa. Quanto mais pequenos, amassados e com mau aspecto, melhor, pois quase que nem se torna necessário soterrá-los em açúcar!
Colheres de café. Quem vai com regularidade ao estrangeiro já se terá apercebido que apesar da universalização do “espresso” e da assinalável penetração de mercado da chávena de loiça pequena, toda a gente parece ignorar a colher de café, facto que dá azo às peripécias mais inusitadas e hilariantes.
Presumo que depois dos fumadores, já andem a preparar terreno para perseguir os consumidores de açúcar. Digo eu, que aprecio teorias da conspiração quase tanto como gosto do doce proveito da cana sacarina.
Sardinha, jaquinzinhos, polvos e lulas. É só, nada a acrescentar. Bem, talvez azeite.
Mamas. Pode ser difícil de acreditar para quem acompanha o Ervilhas com regularidade e se depara, não raramente, com imagens de mulherio cuja volumetria em muito excede o percentil oitenta (per capita mamilal!!!), mas a verdade é que sou adepto fervoroso da maminha pequena/média. Para ser mais científico, há que usar a unidade oficial de medida do SI : a mão cheia. Mais que mão e meia já não me cativa por aí além. Claro que o que tem de ser tem muita força e não sou de virar a mão à luta. Os meus livros de reclamações até podem estar cheios de queixumes múltiplos, mas nunca por falta de devoção à causa ou escassa vassalagem mamária. No que a mamas diz respeito não olho a QI, credo, raça, tamanho, simetria, forma, orientação sexual e nem, pasme-se, filiação clubística. (Agora nesta parte é que todas a minhas amigas virtuais do FCP vão começar a achar que isto é para elas. Eu não confirmo, nem desminto. Enviem fotografias [não custa tentar, hehe] e logo conversamos. Diaba, tu já não precisas, estás aprovada e dispensada, lol)
I-Pods ou similares. Maneirinhos são muito mais jeitosos. Ao contrário dos telemóveis e dos portáteis que a partir de um certo nível de miniaturização se tornam pouco práticos (a menos que tenham uns dedinhos minúsculos), os Ai Podes bebés são deliciosos e recomendam-se! Small is definitely beautiful!
Dedos dos pés. Ao contrário dos seus compadres superiores que se querem longilíneos, os dedinhos dos pés desejam-se pouco avantajados e de preferência sem membrana interdigital. Dedões oponíveis e pessoas com fetiches que envolvam partes do corpo abaixo dos joelhos também são sempre de lamentar.
Coca-Cola. Já aqui declarei o meu amor pela “Cueca Cuela”. É de tal forma que acho ofensivo que lhe chamem refrigerante ou não a distingam da Pepsi. A Coca é uma linha no bingo da vida, um estado de espírito, uma motivação acrescida, e é insuperável na sua incarnação pequenina em garrafa de vidro de 20 cl. (Nota da DGS: não brinquem com as garrafas vazias que devido à sua forma específica tendem a causar um “efeito de vácuo” e, consequentemente, a sobrecarregar as urgências dos hospitais distritais)
Animais de estimação. À excepção do cônjuge, que julga sempre usufruir de liberdade individual para ter o tamanho que deseja, todos os outros animais domésticos e domesticados devem ser fáceis de transportar ao colo e ter um peso inferior a 10 quilos. Maiores que isso que vão para o zoo, para uma reserva natural, para um parque temático ou para o Alentejo selvagem predar Mouros e Cristãos.
Pipis, vaginas, coninhas, tubos de escape e orifícios similares. Posto assim, até soa à tabela de actividades do artigo 151 do IRS, anexo 1: “Toureiros e outros artistas tauromáquicos”, ”Sacerdotes de qualquer religião, Videntes, Bruxos, a Maya (não confundir com a abelha) e Charlatães similares”, ”Biólogos, Astrólogos, Sociólogos, Parapsicólogos e outros Parasitólogos que tais”.
Isto é um assunto tão excitante para mim que já me estou a dispersar. Mas que posso fazer? O IRS é mesmo assim, deixa-me toda doidona e sem fôlego!
Quem me lê há mais tempo sabe que eu sou o poster boy da causa da redução vaginal e/ou da liberalização anal obrigatória, o embaixador da boa vontade das Nações Unidas por uma vagina melhor, o arauto do combate às assimetrias genitais. Nunca é demais repetir: o tamanho con(t)a!