Desde tenra idade que sou um fanático da prevenção rodoviária. Em catraio fiz um workshop com kartings no Jardim Zoológico e ainda hoje trauteio com frequência o jingle: “olha à esquerda antes de atravessar, depois à direita e não tenhas pressa, nunca te esqueças, não andes na lua, PARA! OLHA! Depois atravessa”. Além disso também me mantenho fiel à máxima de que “comigo as crianças, é sempre atrás!”.
A puberdade fez-me dar o salto da estrada para o leito e tornei-me obcecado com a segurança e integridade das minhas companheiras. Mais que as doenças sexualmente transmissíveis, o que sempre me motivou e me manteve hirto, firme, informado e alerta foi a possibilidade remota de fecundar, com um tiro certeiro no porta-aviões, alguma das minhas namoradas.
Por isso, nunca brinquei em serviço, nem com termómetros, nem com aspirinas, nem com disparos para o umbigo, nem com o Benfica a jogar em casa, nem a jogar fora, nem com as marés no Dafundo e na Cruz Quebrada, nem com a ausência da gravidade, nem com o bacalhau avinagrado, nem com o colar de alhos pendurado ao pescoço.
Apesar de toda esta preocupação profilática, durante muito tempo senti que não estava a fazer o suficiente. Foi só no dia em que a Vanessa (a que gaguejava e não a da roulotte das farturas), com os copos, decidiu ir com o capacete da Vespa para a cama, que eu me libertei de todas as amarras e dei os 110%. Várias vezes. Mesmo depois de ela ter ficado inconsciente. E vomitado.
Como não há bela sem senão, passei a depender do capacete para conseguir funcionar em condições, facto que assusta algumas das minhas vítimas no primeiro encontro. Pela positiva, fico cheio de comichões e pensamentos acrobático-fantasiosos sempre que vejo motociclistas, bicicleteiros, scooterelhos, sk8ters, trotinetistas ou o Peter Cech.