Thursday, October 9, 2008

(In)Certezas

Não gosto nada quando as pessoas se expressam com frases feitas. “O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia”, “Se beber não conduza”, “Natal é quando um homem quer”, “A pílula engorda”, “A Coca-Cola faz mal”, “O povo está com o MFA”.

Não me agrada, mas compreendo. O universo é um caldeirão de caos e a incerteza um poço sem fundo. As pessoas sentem necessidade de se agarrar a alguma coisa que seja ordenada, imutável, pouco complexa, fácil de processar e reconfortante. Precisam de sentir que o dinheiro está seguro no banco, que o conceito arcaico da família funciona, que o Benfica são os bons e o Porto são os maus. Precisam de certezas a preto e branco para sobreviver num mundo cada vez mais cinzento. Se lhes trocam as voltas, é o fim da picada.

“Fumar Mata” é um bom exemplo. Uma mensagem simples, concisa e aceite pela grande maioria. Pena não ser verdade. Fumar o quê? Cigarros? Charros? Crack? Cachimbo? Cigarrilhas? Sem travar? No esófago? Nos pulmões? Três vezes por dia? Por semana? Por semestre? Por década? Fumar não mata. Estar vivo é que mata.

É, no mínimo, curioso que a única certeza universal e comum a todos nós seja a morte. A única certeza que temos é aquela que nos traz zero conforto, nenhuma paz e um balde cheio de angústia. Não admira, portanto, que vivamos cercados por frases feitas, verdades absolutas e tabus intocáveis.

A verdade é que as certezas são analgésicos para mentes menores. Se calhar por isso é que eu tenho a certeza absoluta que o amor existe (e é cego), Deus não (se existisse seria cego) e que levar no cú (definitivamente cego) não é pecado.

Wednesday, October 8, 2008

Hoje Não Posso

Tenho que fazer. Torcer por fora e manter níveis moderados de optimismo. Isto é tão importante que deveríamos poder votar também. Nós e o resto do mundo. Se assim fosse não restariam dúvidas quanto ao desfecho eleitoral.

Tuesday, October 7, 2008

Ervi Was Here

Always remember kids: If you want to be extra safe just do it on a Volvo

The Drugs Do Work

Monday, October 6, 2008

Como Perder Leitores (Parte II) : Bola e Palavrões

Nunca compreendi a necessidade de dizer palavrões num jogo de futebol. Nenhum árbitro, dirigente, treinador ou jogador profissional se sente minimamente beliscado na sua honra quando isso acontece. A explicação pode ser tanto de que tais criaturas desconhecem o conceito de "honra", como o facto de desenvolverem ouvidos de mercador muito cedo no exercício desta peculiar actividade. A única excepção a esta regra é se forem árabes, tiverem um nome começado por “Z” e alguém se referir, em amena cavaqueira a meio campo durante a final do campeonato do mundo, à irmã deles.

Sempre me pareceu muito mais eficaz ser ofensivo sem recorrer a palavrões. Estes últimos podem ser sinónimo de um estado emocional alterado, de um momentâneo lascar do verniz e, como tal, perdem a força da crueldade calma, educada e premeditada.

Ainda há bem pouco tempo um estudante, a caminho do Erasmus em Roma, cruzou-se com o “Cebola” Rodriguez no aeroporto de Pedras Rubras (Nota: sim, é verdade, também digo “Ponte Salazar”, “Lourenço Marques”, “Nova Lisboa”, “Bombaim”, “Ceilão”, etc.) e chamou-lhe, com toda a justiça, legitimidade e naturalidade, “Traidor” e “Judas”. Foi prontamente agredido por membros da comitiva portista, o que só demonstra cabalmente o meu ponto de vista.

É inequívoco que cantar “Em cada dragão há um leão” é tremendamente mais depreciativo do que qualquer palavrão que nos sintamos tentados a usar. A frase recíproca então: “Em cada leão há um dragão”, é de tão mau gosto que tive sérias dúvidas em usá-la neste post. Afinal de contas, conheço pessoas decentes que sofrem da síndrome da lagartice adquirida e embora ainda não haja cura conhecida, continuo esperançoso.

Dito isto, é evidente que não estou contente com o que se passa na Luz. Não se pode ter dois pesos e duas medidas, a menos que estejam ligados à arbitragem, aos conselhos de justiça e disciplina, à federação, à liga ou, numa só palavra, ao “pitodourado”. Não gosto quando cantam “Ò Pinto da Costa vai pó caralho”. Não gosto, não acho produtivo. Sugiro que, em vez disso, ponham a música do Padrinho a tocar no sistema sonoro ou entoem a “Saia da Carolina”.

O mesmo é verdade quando nos pontapés de baliza mencionam constantemente as mães do guarda-redes adversário. Também detesto. Em primeiro lugar eles são, em geral, umas abéculas abortivas tão feiinhas que ao gritarem “filho da puta!!!” estão, inadvertidamente, a promover as progenitoras a um estatuto social mais elevado do que aquele que na realidade ocupam. Depois, porque penso ser infinitamente mais divertido e lesivo gritar “Vítor Baía” ou “Ricardo” aquando da reposição da bola em jogo.

Termino com um exemplo na primeira pessoa. Num Benfica - Porto de boa memória estava sentado na primeira fila a uns escassos metros da linha lateral. O Benfica ganhava, pelo que os apanha bolas, cumprindo o seu dever cívico, começaram a desaparecer e os que restaram pareciam afectados por uma estranha apatia. Um jogador adversário, na sofreguidão de não perder tempo, abeirou-se de mim para ir recolher uma bola antes do lançamento. Aproveitei a oportunidade e disse-lhe calmamente: “desejo-lhe que os seus filhos morram de cancro”. O homem ficou possesso, a metralhar saliva e ameaças num descontrolo absoluto e não fosse a pronta intervenção dos stewards tinha tentado uma à Cantona em mim. Tal foi o desacerto subsequente que foi substituído sete minutos volvidos. Não só ganhámos como as criancinhas continuam de boa saúde. Simples, não?

Holy Cow II

Full speed ahead on my highway to hell. Not even stopping for gas or paying tolls.

Sunday, October 5, 2008

Hoje Sonhei Assim

Que estávamos na praia a brincar às construções na areia. Tu fizeste as grutas do Bin Laden, eu o novo túnel do Rossio. Sem mãos.

O Imbróglio Informático

Procura-se hacker freelancer com a maior das urgências. Seriedade, discrição, rapidez, competência e, em especial, abichananço irreversível são características preferenciais. Oferece-se excelente remuneração não sujeita a impostos e gratidão para o resto da vida.

Saturday, October 4, 2008

T - Shirt Bonanza X

Don't you mean "Free Jugs"?

I believe you, nips!

You sure look like solving the climate change crisis by yourself

Friday, October 3, 2008

Holy Cow !

Fui à Luz e levei o inferno comigo. Durante hora e meia vivi uma noite europeia à antiga, com o Benfica a comportar-se como uma equipa e a vaquinha da sorte a manifestar-se no final da primeira parte na única ocasião de que os Napolitanos dispuseram. Italianos pelo caminho e a rapaziada galvanizada. Nas palavras deles: "La vita è bella!"

O Post Perfeito

Uma mulher nua de cabelo lilás, um alfinete de peito, um peido e uma gargalhada. Perfeito. Nada a acrescentar.

Thursday, October 2, 2008

A Pista

Serve o presente post como pista para ajudar quem não compreendeu o anterior. Nos próximos teremos palavras cruzadas, sudoku, descubra as diferenças, e bridge (nível intermédio). Outros tipos de fruta também não serão de descurar, bem como fotografias autografadas de ervilhas descascadas para os vencedores dos passatempos.

Jailbait With a Twist (Actually It's a Knob!)

Wednesday, October 1, 2008

Bu Quê ?

Um olho à Camões é o que te espera se deixas os teus amigos descarregar os... as emoções!

ñ a 2 100 3

Agora é que está tudo perdido. Desde que saltei para esta onda das cuecas com dizeres que não quero outra coisa e daqui não saio, daqui ninguém me tira. Porque sim, porque quem vai postar perde o lugar. Porque a cueca presente não se olha o dente e cueca marota é pra deixar toda rota. E digo mais: cueca à mão de semear é o que está a dar e à cueca vermelha pega-se de cernelha.

Monday, September 29, 2008

O Bichano

Depois do último post, que para além de bastante decente era longo, não estão à espera que eu escreva nada de jeito hoje, pois não? O melhor que consigo arranjar é uma fotografia semelhante. Não faço é ideia do que significa, uma vez que nem percebo estrangeiro. Só sei que estou farto de introduzir “Clitty” no GPS e ele (ou será que o GPS é uma ela? Isto das línguas latinas atribuírem sexos aos objectos inanimados é complicado mesmo para quem as tem como maternas) fica completamente às aranhas, com suores frios e afrontamentos em simultâneo.

Agora, fora de brincadeiras, não acham que devia ser “on the Clitty” ou “all over the Clitty” ou “around the Clitty in 80 ways”? É por estas e por outras que há rapaziada que se intimida, baralha e depois precisa de um mapa, digo GPS!

PS: não sei se repararam que utilizei sempre um “C” maiúsculo demonstrando assim, inequivocamente, todo o meu respeito pelo bichano!
PS II: A todas vocês que não só viram o filme como fizeram um post sobre o assunto, confirmo que vos imagino sempre com umas cuequinhas destas vestidas...

A Pandemia do Dia-a-Dia

Eu devo ser muito anormal, mas a verdade é que nunca fiquei sem carga no telemóvel. Admito que possa acontecer aos melhores, uma ou outra vez por ano, desde que não seja de forma sistemática. Afinal não é muito complicado: é só controlar as barrinhas e ligar ao transformador quando é preciso. Tenho fé que qualquer pessoa com um mestrado em letras o consiga.

Aliás, não me lembro de nenhuma ocasião em que me tenha faltado a carga para o que quer que fosse, tirando daquela vez, nos tempos da tropa, em que o buço da Etelvina picava em demasia e eu estava exausto da pista de combate. Recordo-me, como se fosse hoje, de lhe sussurrar ao ouvido “Gillette, Wilkinson, Philishave”, enquanto ela dormia no meu regaço, na vã esperança de lhe incutir subliminarmente aquilo que nunca tive coragem de lhe dizer frontalmente.

Convenhamos, no entanto, que há pessoas que passam a vida sem bateria. Não compreendo porquê. Se é desculpa esfarrapada, para que é que têm telemóvel? Se é verdade porque carregam um peso morto com elas? Mesmo que sejam mulheres e o dito cujo ande perdido no abismo negro que é uma mala de senhora, é inexplicável.

Também me ultrapassa quem opta por dormir com ele ligado. Concluí que a responsabilidade é do pool genético português. Que melhor do que chegar ao emprego pela calada da manhã logo com queixumes e peripécias do triste fado: “Estou muito mal. Não dormi nada. Recebi um sms para downloadar gratuitamente a nova música da Shakira às 3 da madrugada e não consegui mais pregar olho a pensar naquelas ancas parideiras com epilepsia”.

Pelo amor da santa, minha nossa senhora do caravaggio, cocem as vossas, que eu também já cocei a minha!

Pior que tudo isto junto, e misturado com uma caldeirada de peixe, é a falta de civismo generalizado e o desprendimento com que as pessoas falam em público, largando tudo e todos para atender uma chamada ou responder a uma mensagem.

Não percebo como é que não posso fumar em restaurantes, elevadores, salas de aula, hospitais e recintos desportivos, sob falsos pretextos de afectar a saúde de terceiros, e é permitido fritarem-me o cérebro com radiações nefastas** e azucrinarem-me os ouvidos com conversas de comadres e toques estridentes de bebés a rir, a chorar ou a serem molestados por uma manada de deputados (pelo menos é o que a mim me soa, mesmo não tendo qualquer experiência como cowboy. Bem, pensando melhor...)

Para finalizar, não queria deixar de deixar (figura de estilo Ervi ©) aqui algumas notas positivas sobre o uso e desuso dos telemóveis: adoro quando o tenho no bolso esquerdo das calças e ele vibra como se não houvesse amanhã. Normalmente até dou um gritinho e ajeito o decote. É uma forma simples de andar contente de ver toda a gente e contribuir para um mundo melhor.

Também acho maravilhoso estar a defecar, com todos os sons inerentes a tão nobre e universal actividade, e conduzir uma conversa formal. “Claro que sim Sr. Secretário de Estado – pum épico – mando-lhe já um fax – plof ping schlap – é que é já a seguir – gemido sofrido de dor hemorroidal – estou mesmo com a mão na massa!”. Não aconselho a iniciados, pois as partes do esfreganço do papel no vale virginal (falo por mim), do manejo à mosqueteiro do piaçaba e da descarga auto cataclísmica múltipla, envolvem uma destreza considerável, de modo a que o telemóvel não vá parar ao fundo da sanita (e fique sem carga, ahahah!!!), só ao alcance de uma mão cheia de cagadeireiros iluminados.


** não se preocupem que tal e qual como no caso do fumo em segunda mão, não há nenhum estudo credível que aponte no sentido dos telemóveis serem prejudiciais à saúde física (à mental não me restam quaisquer dúvidas!).

Sunday, September 28, 2008

Hoje Acordei Assim

Sedento de uma das actividades mais reconfortantes que existem: ser amamentado por uma beldade tatuada enquanto faço musculação sub equatoriana.

Friday, September 26, 2008

É Preciso Fazer Um Desenho ?

Muita gente me tem escrito a perguntar a origem destes cartoons deliciosos. Prometo que revelarei não só o autor em breve, como onde podem encontrar centenas de tiras hilariantes. Peço-vos só que me deixem espremer a coisa mais um bocadinho, pois está-me a saber muito bem afagar estas ervilhas dos ovos de ouro.

Doggie Style

Durante muito tempo não compreendia porque é que havia pessoas que preferiam os cães aos gatos. Santa ingenuidade a minha, às vezes até parece que tenho um cérebro de ervilha.