Nerdismo 33
8 years ago
> by Master Guru Ervilha Albina da Silva Mendel, Friends and distinguished Guests < Blogue com Humor, Amor, Sexo, Poesia, Ervilhas Traquinas e Delícias da Horta
Não me faz confusão nenhuma ter coisas em segunda mão. Casas, carros, móveis, electrodomésticos não lúdicos (bem, a batedeira e o aspirador pode ser), enxovais, roupa, napperons, passadeiras e afins, bibelots, DVDs, CDs, discos e, pasme-se, até mulheres.
Queridas leitoras: digam-me lá agora se se opõem às meias brancas com a veemência com que o faziam antes de ler este post?
A Gi, a quem só falta um 31 na vida, lançou-me este desafio engraçado que consiste em recordar a magia dos primeiros contactos com os livros. Para os mais novos de entre vós posso-vos dizer que "livros" são conjuntos de folhas impressas ou manuscritas reunidas num volume. Sim, exactamente, aquelas cenas que costumam aparecer no Parque Eduardo VII lá para Maio/Junho.
Indispensáveis na formação de uma mente masculina de superior qualidade são os 4 pilares da banda desenhada franco-belga em álbum de capa dura. A saber: Astérix, TinTim, Spirou e Lucky Luke. O exemplar que aqui mostro era pertença da biblioteca de uma escola pública que frequentei. O meu advogado diz-me que este meu acto de esquecimento já prescreveu e que não corro riscos de maior com esta minha confissão.
O primeiro "sem bonecos" nunca se esquece, e este, da autoria desse grande senhor que foi Alfred Hitchcock, é o meu. Se moldou para sempre a minha fervorosa anglo-saxonia e o meu fraquinho por literatura policial, não sei, é provável. O que sei é que durante muitos anos guardava documentos preciosos (cartas de amor, rankings de namoradas, listas negras dos críticos de música que diziam mal dos Queen, etc.) entre as suas páginas e hoje, quando o fui desencantar para sacanear, encontrei um envelope com uma chave misteriosa lá dentro. Não me lembro o que abre mas tenho uma forte suspeita que será um duplicado da chave do cofre da minha irmã. E mais não digo que o meu advogado, desta feita, aconselhou-me o silêncio.
Na mesma linha, mas mais unissexo (como se costumava dizer), temos a incontornável Enid Blyton, essa formidável Agatha Christie para petizes. Nunca fui muito à bola com "Os Cinco" mas "Os Sete" e esta colecção do "Mistério" faziam-me companhia nas noites longas de Inverno antes de a puberdade me ter alterado as prioridades.
Termino com algo diferente: uma prenda de décimo aniversário, um exemplar do Grande Atlas Mundial. Oferecer-me um livro deste era deitar gasolina na fogueira e alimentar as minhas obsessões geográficas e estatísticas e estimular a procura incessante do conhecimento. Até hoje nunca me curei.
Ter, pelo menos, metade dos seguidores do Alf. É muito difícil, quiçá utópico, eu sei, pois ele é melhor que o flautista de Hamlin, um verdadeiro génio contemporâneo dos instrumentos de sopro.
A verdade é que me lembro da epidural, de o obstetra ter as unhas sujas e pouco mais. Quando me passou a pedra, baptizei-te logo ali, com um Sumol de ananás já sem gás. “Ervilhas” da parte do pai, “Albinas” sabe Deus de onde. Com uma cotovelada pedagógica empurrei-te para fora do ninho e deixei-te dar asas à tua recém adquirida liberdade e independência. Quando te estampaste expliquei-te que “as ervilhas não voam” e quando foste linkado por gajas mesmo boas dei-te palmadinhas nas costas. Agora, que marchas com passada larga para os cem mil hits, já não precisas de mim e ainda bem que assim é. Aproveita, diverte-te e não deixes de fazer nada que eu não fizesse.
Hoje estou de folga. Não fiquem tristes, podem sempre ir ao Contracultura ver este post engraçado que eu escrevi por lá.
Conheço uma pessoa há muito anos, por quem nutro uma estima considerável, que sofre de um ligeiro problema de dicção. Não é nada de especial, nem se pode dizer que seja muito fora do comum, limita-se a carregar muito nos “erres”, com uma convicção própria da paixão.
- Porque é que não acreditas em Deus?
Hoje é o dia em que a Miss Bad se vai meter num 31! Referência incontornável da blogosfera lusitana, com a sua inteligência, humor, decência, mau feitio e cinturinha de vespa, recomendo vivamente que visitem o seu blogue e a encham de merecido mimo. Não tenham medo que ela não morde assim à primeira, a menos, claro, que sejam tão engraçados como o Santoro, tão divertidos como os Monty Python e tão inteligentes, BNC e modestos quanto eu.