Metade dos meus leitores acha que a Carlota Poliglota, a tal que fala português e bullshit, é uma invenção minha, um alter-ego, um golpe publicitário. Asseguro-vos que não é assim. Há mais de um ano que não deixo comentários anónimos no Ervilhas, pois, felizmente, já não necessito de estimular artificialmente a interacção entre mim e vocês.
A restante metade pensa que tudo isto não passa de uma lavagem de roupa suja em público. Que eu maltratei, ignorei, recusei, abandonei, ejaculei numa fulana qualquer e que ela veio para aqui ressabiada tentar envergonhar-me perante familiares, amigos e outras leitoras peitudas. Garanto-vos que também não é o caso. Nem no tempo em que me masturbava da varanda do meu oitavo andar para a rua, tenho ideia de alguma vez ter atingido uma Carlota, mesmo que de raspão e ao de leve, pelo que a teoria de ela ser uma vítima de danos colaterais da minha libido adolescente incontrolável também não pega.
Depois de um grande esforço, lembrei-me de uma Carlota da minha turma do primeiro ano do ciclo preparatório. Era mais velha, repetente e já tinha maminhas. Pediu-me em namoro durante um jogo do bate-pé e depois acabou comigo umas semanas mais tarde porque eu me recusava a pôr a minha língua dentro da boca dela.
Como se já não bastasse eu perder parte do meu tempo livre com ela em vez de estar a jogar à bola, ainda queria fazer cenas nojentas. Enfim, mulheres, umas malucas do experimentalismo sexual e sempre insatisfeitas.
Mas por muito que eu gostasse que fosse esta, que não vejo há 30 anos, sei que não é. Porquê? Ora bem, acabo de consultar o meu arquivo e esta minha Carlota chamava-se, na realidade, Carolina. A confusão adveio do facto de toda a gente lhe chamar “Carocha”.
E assim voltamos ao princípio: não sou eu, não faço ideia quem seja, só sei que está louca por me saltar para a cueca, facto que reduz o leque de possibilidades para apenas dois terços da humanidade...