Monday, May 12, 2008

Top Ten da Imutabilidade

Estava a observar a minha sobrinha pré-adolescente num frenesim multitásquico multimédia (telemóvel, ipod e televisão tudo em simultâneo) e viajei no tempo até aos meus 10 anos de idade.
A televisão era a preto e branco e havia um canal e meio. No segundo canal havia uma locutora de continuidade a dizer-nos subtilmente que era melhor opção mudar para o primeiro.
Computadores pessoais eram ainda coisa do domínio da ficção científica, mas desenrascávamos com calculadoras simples, ábacos, réguas de cálculo, máquinas de escrever, jogos de tabuleiro, damas, dominós, Mikado e cartas. E fazíamos montes de coisas à mão (não sejam assim que eu estava a pensar em raízes quadradas).
Vídeos, walkmans, telemóveis, multibancos, centros comerciais e pornografia de fácil acesso, é que nem pensar nisso!
Os Brasileiros eram cool, o Carlos Cruz idem, os homens tinham barba (as mulheres também).
Apesar destas diferenças profundas, naturais por vivermos numa época de ponta (hehe) tecnológica, a verdade é que muitas das coisas que tenho como fundamentais já eram como são hoje.


Na altura já gostava de mulheres com 14/15 anos. A única diferença é que, ao contrário do que se passa no presente, podia apregoar isso às bandeiras despregadas que toda a gente achava muita piada. De resto, é igual, continuam sem me ligar nenhuma...

Já bebia Coca-Cola como se fosse o néctar dos Deuses. Em caso de emergência também consumia Sumás de Ananol, TriNaranjus com borbulhas de maçã ou Compal de pêssego. Nada mudou.

Já ouvia a minha música em vinil. Música, histórias infantis, flexidiscos das Selecções do Reader’s Digest, enfim, qualquer coisa que emitisse som, eu colocava no prato do gira-discos (sim, na altura ainda não existiam “leitores de vinil”, ahahahah)

Já seguia o Benfica, o Campeonato do Mundo e os Jogos Olímpicos com um fervor religioso. Sempre fiz as colecções de cromos respectivas, mas de há algum tempo a esta parte desisti de estar à porta dos liceus de gabardine, com os bolsos carregados de cromos para a troca, de forma a evitar mal-entendidos e problemas legais.

À excepção da picanha e das cervejas de trigo tinha uma dieta igualzinha à de hoje em dia. Não estou a brincar.

Já adorava reuniões de Tupperware ("Tapoé", ver figura) pejadas de donas de casa desesperadas, mas infelizmente ainda não se vendiam massajadores faciais nesse tempo.

O PS e PSD já alternavam na desgovernação de forma pouco emocionante mas as pessoas entusiasmadas com a recém-nascida democracia ainda se davam ao trabalho de ir votar.

Já tinha uma preferência notória por livros policiais. Desde os infanto-juvenis da Enid Blyton e do Alfred Hitchcock, até aos clássicos do Erle Stanley Gardner, Agatha Christie e Ellery Queen.

Já adorava brincar aos médicos, em especial na variante de “O Médico e as Enfermeiras” pois instintivamente já compreendia os benefícios das hierarquias, da poligamia e dos uniformes justos e decotados como estímulo afrodisíaco (o chamado “Viagra dos pobres”).

4 comments:

Anonymous said...

A propósito de Agatha Christie, convido você e a todos para conhecerem dois blogs recém-lançados...

O Mundo de Agatha Christie
http://acasatorta.wordpress.com

Cinema é Magia
http://cinemagia.wordpress.com

Um abraço.

cba BDS said...

Continuas no teu melhor, deixa-me lembrar-te que com 10 não digo mas com 13 já havia os zx spectum (maravilhas da época), walkman's já apareciam alguns e telemóveis para quê se viviamos tão felizes como eramos,

Um abraço

CC said...

Leitor de vinil é um conceito tão engraçado. Não sei porque gozam tanto com isso.
Também não chamam "computador" ao spectrum?

Catarina Morgado said...

Se tiveres cromos para a troca do Euro 2008 da Panini avisa...eu estou a fazer a caderneta. Ou a tentar...porque o preço dos cromos em nada se assemelha ao do antigamente!!