Thursday, July 26, 2007

O Contra Cultura e os outros dois Marmanjos


Convidei-me para um blog de amigo(s) de cariz bastante diferente do deste, pelo menos até eu começar a escrever para lá.

O Contra Cultura (CC) tem uma longa história que remonta ao embrionário “Correio de Bruxelas”(CB) de 1990. Foi criado pelo BT, emigrante certificado de mala de cartão e tudo, para responder à pertinente questão de como comunicar com os amigos num mundo pré-internet sem ter de manuscrever a mesma carta vezes sem conta. Ou numa só palavra: por-preguiça!

Talvez um dia relate toda a odisseia do CC, a versão ervilha, também conhecida como: a verdade dos factos, sem tirar nem pôr, mesmo que faça calor e me cause algum ardor.

Posso adiantar-vos que logo no verão de 1991, ainda a coisa não tinha três pernas para andar, e já eu estava a ser despedido pelo director, que no editorial escreveu:”Termino com uma nota amarga, para referir a exclusão do Sr. Ervilha Albina da Silva Mendel* da lista dos nossos colaboradores. A realidade é que ele não é digno das mais pequena honra”.

Como sabem, a vingança serve-se fria, e eu estou há 16 anos a arrefecer. Agora que tenho livre acesso ao blog da sua autoria é que vai ser gorda a folia, um desvario como há muito não se via. Carte blanche, nada mau, p’rá Revanche, aqui do carapau.

Em abono da verdade, até fiquei feliz, pois nunca fui muito íntimo de tamanhas responsabilidades não remuneradas e, por linhas tortas, tinha acabado de aparecer no meu primeiro editorial, um bom prenúncio para uma vida que não seria uma mera de nota de rodapé. De referir que na época a tiragem do CB rondava os 7 exemplares (fotocopiados).

*****

Sou dos que acreditam que até se pode renunciar a família biológica mas que não se escolhem os amigos. Eles acontecem e a partir de certa idade nem vale a pena pensar mais no assunto. Afinal: “The most important thing in life is to show up”. Mesmo que, como no caso do LR, se chegue sempre atrasado.

Temos muito em comum: pessoas, o espaço e o tempo da Benfica contemporânea, os interesses culturais e pseudo-culturais habituais, como filmes, discos, livros, jogos de computador, drag queens e karting, com destaque especial para o fascínio partilhado que nutrimos por vocalistas de orientação sexual duvidosa. Poder-se-ia dizer que é a androginia que nos une.

Para além disto, não podíamos ser mais diferentes. Desde os tempos imemoriais em que éramos torcedores de pepinos.

Enquanto eles liam Tolkien e tinham sonhos húmidos com pés de Hobbits, eu tinha experiências a cores e ao vivo nas mãos das minhas namoradas, enquanto eles liam banda desenhada Franco-Belga, eu lia a Gina, a Playboy e, em meses de sorte, a Penthouse, enquanto eles jogavam aventuras no computador, eu jogava à bola na rua, enquanto eles ouviam música independente sózinhos fechados num quarto escuro, eu dançava a pop no lusco fusco da discoteca com as minhas amigas adolescentes.

A falta de fêmeas era tão gritante que chegou ao cúmulo de eles, armados em cromos difícieis e com tempo a sobrar, terem programado um jogo de estratégia, uma simulação da indústria cinematográfica, para o Spectrum chamado “Welcome to Hollywood”. Para ser justo, admito que eles chegaram a ter uma oferta de uma software house inglesa pelos direitos de publicação do jogo, que era bem engraçado. Sim, porque adivinhem lá quem foi o beta tester oficial? (e de borla!)

Tudo isto para vos pedir para darem o benefício da dúvida aos Marmanjos. Eu sei que a blogosfera está cheia de bons rapazes mas estes tiveram mesmo vidas difíceis. Como já perceberam, um viveu na Bélgica durante dois anos e o outro frequentou a Escola Preparatória Quinta de Marrocos durante dois anos. Nunca mais foram os mesmos.

PS: o termo marmanjo é-lhes aplicado no sentido de “rapazes corpulentos”/ “homens feitos” porque para “patife e mariola” estou aqui eu, o terceiro mosqueteiro.

PS2: A imagem que ilustra este post é a capa do primeiro CC versão carbono. É conhecida como a capa "da Igreja Maná" e foi desenhada por uma rapariga cujo nome agora me escapa, mas cujo pai tinha uma fábrica de ténis em Goa.

*na altura ainda não me tinha convertido ao Ervilhismo, nem tinha lido o Al Pantagruel, pelo que era conhecido por outro nome. Para não baralhar os leitores optei por usar o nome actual. E não, não era Gato Esteves (Cat Stevens)

2 comments:

LR said...

Como diriam no Inépcia... peidinho?

Ervilha Escriba said...

Não sejas assim que eu fui querido, nem referi os anos consecutivos de humilhações no Championship Manager...