Tuesday, August 7, 2007

O Preso e a Espera


Ao espelho olha-me um estranho

Recluso em corpo emprestado

Que fado este tamanho

De ser um velho malvado

O espelho inverte, não mente

Tempo é sempre o de agora

Só mesmo a imagem não sente

Qua a vida anseia ir embora

As rugas de alma zangada

Da existência desperdiçada

Da escolha do tudo, de nada

Trespassam a tez bronzeada

Só os olhos fazem jus

Ao homem que por ali passou

São como centelhas de luz

Acesas por quem já amou

Com um grande bocado de ausência

Entre minhas torpes mãos a tremer

Pondero na frequência

Em que só penso em morrer

Tempo andaste na má vida

Não me deste que fazer

Muita jornada perdida

Muitas vidas por viver


Poema gentilmente cedido por Frederico Murça e reproduzido com permissão.

Imagem do quadro “Barão de Guisantes” por El Greco (Toledo, circa 1603)

6 comments:

ar said...

já pensaste numa carreira como letrista de fados?

Ervilha Escriba said...

Eu não, mas o Frederico já escreveu para a Dulce Pontes e para o Camané. Se não fosse tão jovem teria, de certeza, sido cantado pela Amália.

EAdSM

ar said...

oh ervi, a mensagem nao era para ti, era para o fm...
bjs para os dois

Ervilha Escriba said...

Como sabes, e ao contrário de mim, o FM não gosta das luzes da ribalta...

Mas garanto-te que se o El Greco ainda fosse vivo já tinha retratado o Frederico e, com sorte, até a Amália!

ele manda bjs pati
Ervi mensageiro

TT said...

O El Grego foi clarividente. Retratou com bastante pormenor uma pessoa muito querida. O trabalho está excelente, a poesia está fantástica. Parabéns!

喜洋洋 said...

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