Tuesday, January 22, 2008

Portugal NeoNazi IV - Perguntas Para Quê ? São Artistas Portugueses !

Porque é que se pode fumar nas prisões, hospitais psiquiátricos, centros de reabilitação da toxicodependência e alcoolismo, casinos e discotecas e eu não posso fumar no restaurante onde vou diariamente?

Se a nicotina é tão nociva para a saúde porque é que o lobby médico-farmacêutico anda tão ansioso em vender-nos pensos, pastilhas, inaladores, gotas e comprimidos da substância referida?

Porque é que a lei tem em conta superfícies (áreas) e não volumes? O fumo não é uma entidade tridimensional? Não há uma única pessoa com formação científica entre os legisladores deste país?

Se o Estado Português está tão preocupado com a saúde dos seus cidadãos porque não financia a fundo perdido a instalação de extractores de fumo em todos os locais que assim o desejem?

Se o Estado Português acha que o tabaco é tão mau, mas tão mau para a saúde que merece tratamento de excepção a todos os níveis, nomeadamente de impostos, publicidade, avisos ao consumidor e agora também (com esta lei mentecapta, moralmente corrupta e cientificamente vazia) locais de consumo, porque não o ilegaliza de todo? Como a cocaína, a heroína e a mousse Alsa de morango?

É tal a histeria cega que nem um simples autocolante foram capazes de desenhar em condições. Usam o vermelho, universalmente associado a uma proibição, e o dizer “Não Fumadores”. Quer isto dizer que os não fumadores estão proibidos de entrar? E não é inconstitucional discriminar as pessoas desta forma? Gostava de ver autocolantes deste género a dizer “Pretos”, “Não Ciganos”, ”Lagartos”, ”Não Canhotos”, ”Crianças Deficientes”, ”Não Homossexuais”. Gostava mesmo de ver quanto tempo decorreria até entrarmos em guerra civil.

Mesmo banindo o tabaco dos espaços públicos e semipúblicos, se o Estado Português acredita no mito de que “fumo passivo” é prejudicial à saúde, porque é que permite que mais de 2 milhões de nós assassinem lentamente as pessoas, animais de estimação e as plantas que amamos? Mais uma vez pergunto: porque não declara o tabaco ilegal?

Depois de tantos anos de ditadura do Estado Novo e de exemplos reconhecidamente desastrosos como a “lei seca” Americana e a completa ineficácia da guerra global contra a produção e tráfico de droga, não seria de esperar que o Estado Português tivesse tido o bom senso de não enveredar pelo caminho das “proibições”? O que é que vem a seguir? A pena de morte? O fim da tourada? Proibição de grelhar ou fritar alimentos, pois esta actividade liberta carcinogénicos? Ou “apenas” a proibição da matança do porco, das colheres de pau e dos galheteiros? (Esperem lá! Isto se calhar já aconteceu, mas estávamos todos distraídos com o José Castelo-Branco, a Maddie, a crise económica, o Berardo e a Casa Pia)

10 comments:

Piston said...

Isto só pode ter sido escrito com palas nos olhos.
Como se o estado (que nem somos nós nem nada) pudesse financiar tudo e mais alguma coisa. Vamos pedir também ao estado para nos pagar ginásios e para nos cortar as unhas.
Como se o estado não ganhasse mais em vender mais tabaco do que "perder" o "consumidor" para as farmacêuticas.

Moralmente corruptos são aqueles que não percebem que a liberdade deles não se pode sobrepor à dos outros.

Quer dizer então que se devia legislar prevendo a possibilidade de uma discoteca ou restaurante terem uma altura de 5 andares não?
Restaurantes com 5m2 e 10 metros de altura passavam do nada a ter condições de evitar que o fumo se deslocasse para os lados?

Porque não se declaram as corridas de formula 1 ilegais? É proibido que se façam em vias públicas, mas em pista não há problema. Os participantes estão em local controlado, sabem os riscos que correm e o probabilidade de causar danos a terceiros é bem reduzida (e os terceiros vão assistir porque querem).

Será que isto faz algum sentido?

A tourada? Não por favor, não proibam uma coisa tão bela como é a perseguição de um animal pelo puro prazer de lhe infligir dor. Isso sim seria digno de um governo nazi.

Embora a lei não seja contra o fumador mas a favor do não-fumador, se assumirmos que há duas liberdades em conflito (que não há) deverá sempre ganhar em primeiro lugar a liberdade que não causa danos à outra e em seguida a que serve maior número de pessoas).

O passado estava errado. Eu aguentei 23 anos de fumo. Acho que não vão morrer se demorarem uns meses a ter os vossos espaços devidamente criados.

A postura do fumador Talibã é de um egoísmo e autismo inqualificáveis.

Note-se que sempre que me perguntaram se podiam fumar ao pé de mim, eu permiti. O extremismo não mora deste lado.

Alex said...

Concordo contigo a 100% Ervi, nem mais nem, menos.
Ha dias estava a assistir à (excelente) série da RTP1 "Conta-me como foi" e percebi que até agora pensava que a revolução dos cravos tinha sido há já 34 anos, quando afinal foi apenas há 34 anos. Esta nova perspectiva muda tudo.
O povo português, envelhecido, continua muito preso ao passado, às proibições, às condições, às obrigações, para com os outros.
Porque este é um povo no seu geral iletrado, aproveita a tão aclamada "liberdade" adquirida para se afogar no consumismo e no endividamento, o que antes era impensável. É um povo que vive com a cabeça no mundo perfeito dos socialites e se sente superior face às desgraças alheias, porque já que agora tem acesso a todo o tipo de informação, há que aproveitar para se alhear das frustrações reais do dia-a-dia.
Já ouvi várias pessoas dizerem "É pena que por uns paguem os outros, a grande maioria dos fumadores são civilizados". Pois são. Sou fumador e sou muito mais civilizado que muitos não fumadores. Sou muito mais civilizado que o Sr. MacDonald's, que a Sra. Petrogal, que o borrachão que às 9 da manhã enquanto tomo o meu cafézinho bebe de penalty o seu bagacinho e tosse como se fosse morrer ali na hora, que o Sr. Citroen, que a Sra. Yamaha, que o Sr. Fiat, que a Sra. vizinha que por estar a 50 metros do contentor prefere deixar o saquinho do lixo na rua, que a Sra. velhinha que leva o cãozinho à rua para fazer a sua necessidade e se esquece de a limpar, enfim.
Dizia o outro "o povo é sereno", pois eu também acho, sereno demais até. E cobarde. Nunca antes desta Lei tantos não fumadores se revoltaram e disseram o que lhes ia na alma. Agora chovem opiniões negativas e com um toque de vingança pessoal e rancor.
Sentem-se protegidos agora.
Eu sinto-me ostracizado e descriminado.
Eu também tenho direito à indignação, pelo menos enquanto não criarem uma Lei que o anule...
Abraços.

Ervilha Escriba said...

Piston,
Antes de me mandar a ti como gato a bofe, deixa-me dizer-te que a tua nova imagem no perfil é 5 estrelas!

É engraçado mencionares os ginásios numa altura que o governo acaba de baixar o IVA dos mesmos de 21% para 5%, o que de forma prática resulta no Estado pagar um parte significativa da mensalidade dos mesmos.

Quanto a esta tua frase "Moralmente corruptos são aqueles que não percebem que a liberdade deles não se pode sobrepor à dos outros." concordo em absoluto! E ainda acrescento: "não à tirania da maioria!" e "a vontade da maioria não se pode sobrepor aos direitos da minoria"

O "fumo passivo" é que é um delírio talibã do lobby anti-tabaco. Compreendo que na conjuntura actual seja difícil de acreditar que o fumo em segunda mão não faça mal a ninguém, mas é essa a verdade. A partir desse momento passa a ser uma questão de gosto pessoal. Eu detesto peixe e quando me perguntam se podem comer ao pé de mim, eu digo sempre que sim.

É evidente que chegou a altura de ter uma postura mais agressiva e radical. Mas apenas como resposta ao extremismo anti-fumador. Fui encurralado. Ao longo do tempo deixei de poder fumar nos transportes públicos, nos hospitais, nas aulas, nas salas de espectáculo, as sessões de cinema deixaram de ter intervalo, etc,etc. Agora chegou o momento de dizer basta! Já chega!

Esta lei só serviu para alienar e enfurecer fumadores adultos, civilizados e responsáveis como eu que estavam sossegadinhos no seu canto sem fazer mal a ninguém.

Ervilha Escriba said...

Alex,

Obrigado pela excelente contribuição. Num país que elege o Dr.Oliveira Salazar como o melhor português de sempre não se poderia esperar grande coisa, pois não?

Temos o que merecemos!

Ervi

Piston said...

Obrigado pelo elogio.

Se há coisa que me irrita é essa argumentação de que o tabaco é fantástico e recomenda-se a crianças e idosos.

Gostava de saber como é que, com factos, consegues provar que o tabaco, ainda que consumido de forma moderada, é benéfico. Quero provas. Há provas do contrário (que dizes que são falsas sem justificar devidamente).

Quando alguém come peixe eu não sou obrigado a beber a água em que foi cozido.

Em último grau, se eu quiser ser mesquinho (que se fosse só por esse facto nem sequer ligava ao caso) tenho o direito de poder estar num restaurante e sair sem cheirar a cinzeiro.

Ervilha Escriba said...

Água, sumo de laranja e leite são óptimos para a saúde, mas se beberes 50 litros num dia, vais desta para melhor.

Eu não acho que as crianças ou que os idosos devam ou não devam fumar. Isso é com eles e com os respectivos encarregados de educação.

Podes começar por ler alguns dos benefícios do tabaco, aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Tobacco_smoking#Health_benefits_of_smoking

É preciso distinguir o fumador activo, do passivo. Fumar mais de 10 cigarros por dia acarreta problemas de saúde icontornáveis. O que eu defendo é que ser "fumador passivo" não implica riscos de maior.

Uma vez que um restaurante é um local público discordo completamente que tenhas esse direito. "Cheirar a cinzeiro" é uma coisa de que tu não gostas. Mas não se pode legislar com base em gostos pessoais, pois nesse caso eu também poderia querer que não se falasse ao telemóvel, que não se servisse peixe, que não entrassem crianças, etc,etc

Piston said...

Estamos a ficar mais de acordo.
Acredito em TUDO o que está escrito nesse link mas, estou à espera de referências mais fidedignas.

Pelo que li não são os cigarros que fazem bem, é a nicotina.

Ainda que faça bem, acredito que o balanço não seja positivo.

Onde estão afinal esses estudos que deitam por terra os que defendem que o fumador passivo também sofre?

Há alguma coisa palpável ou não?

A lei não se baseia em gostos pessoais (e mesmo que tivesse poder legislador nunca o faria dessa forma).

Ervilha Escriba said...

O balanço, para um fumador crónico (e mais uma vez acima dos 10 cigarros diários) não é de todo positivo. Mas isso é um problema/opção individual de cada fumador e nem o Estado, nem mais ninguém tem nada a ver com o assunto.

Quanto aos "fumadores passivos" é só leres o post que acabei de publicar.

Dulce said...

Aqui há tempos, num centro comercial do Porto, estava eu descansadinha a tomar um café e a fumar um cigarro (sim, ainda se podia) quando fui abordada por uma cidadã que me pediu para assinar uma petição. Peguei na folha A4 que me estendia e quase que me engasgava com a passita que acabara de dar: era uma petição para a criação de espaços próprios para vegetarianos! Perguntei quais as razões que fundamentavam a petição e a menina, de sobrolho carregadíssimo, com aquele ar de "Dah!" que me irrita solenemente e que esta pitalhada usa constantemente e disse-me (sic): "É que nos enjoa ver pessoas a comer carne, até há quem desmaie com o cheiro" F...-se! Pensei eu, qualquer dia dividimos os espaços tal tabuleiro de xadrez: um quadradinho para os fumadores, outro para os não-fumadores, um para os omnívaros, outro para os vegetarianos, um para os caucasianos, outro para os pretos, um para as pessoas que gostam de cães, outro para as pessoas que não gostam, etc. etc. etc.

Desculpe, Ervi, se calhar fugi ao tema do tabaco, mas aquela cena irritou-me tanto, que não resisti em contar.

Escusado será dizer que não assinei a petição.

Quanto à lei anti-Tabaco, tem uma coisa boa: conhece-se gente fantástica à porta dos edifícios, dos restaurantes, dos cafés, etc. Qualquer dia começamos a ver não-fumadores a fazer a pausa "para conviver com os fumadores que estão lá embaixo a fumar" :):)

Ervilha Escriba said...

Olá Dulce :)

Muito obrigada pela contribuição que levanta uma questão que para nós, fumadores, é abolutamente análoga.

Pode-se andar a legislar e a segregar em função dos caprichos e gostos de cada um?

É claro que não! Mas tal com em todas as modas "o primeiro milho é dos pardais", temos de ter paciência e seguir em frente alegres, cantando e rindo.